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Eu e a Outra

Coisas maravilhosas, coisas assustadoras, viagens exóticas, dia-a-dia monótono, bichinhos tropicais e muito amor. Ponham-se confortáveis que vamos começar.

Eu e a Outra

Coisas maravilhosas, coisas assustadoras, viagens exóticas, dia-a-dia monótono, bichinhos tropicais e muito amor. Ponham-se confortáveis que vamos começar.

18
Fev18

A teimosia traz soluções

Ainda não vos atualizei sobre o desfecho da história dos mil-folhas. (Ainda não leram? Ora vejam aqui.)

Deixei-os no frigorífico durante o dia e quando cheguei à noite a massa folhada e o creme de pasteleiro estavam mais duros. Decidi não me dar por vencida e desfiz tudo. 

Retirei as framboesas e separei o creme da massa folhada. Juntei mais leite ao creme de pasteleiro, pus tudo no processador até voltar a ficar cremoso. Entretanto, pus uma frigideira anti-aderente ao lume e aqueci as folhas de massa folhada para ficarem mais estaladiças. 

 

Com tudo isto pronto, otimizei a montagem dos bichinhos: em vez de colocar o creme com o saco de pasteleiro, barrei-o nas folhas de massa folhada com uma espátula em ambos os lados e em vez de colocar as framboesas inteiras, cortei-as em metades para reduzir a altura do bolo e aumentar a área de adesão. Fiz três andares e, por fim, polvilhei tudo com açúcar em pó peneirado e coloquei uma framboesa no topo. 

 

Foi um sucesso. Afinal, ter-me precipitado no dia anterior até foi bom, deu para melhorar a minha abordagem. 

 

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14
Fev18

Não percebo.

O dia dos namorados é uma parolice.   

O dia dos namorados é para adolescentes tolos.

O dia dos namorados é um desperdício de dinheiro.

O dia dos namorados é só uma desculpa para o comércio. 

 

 

Em Portugal, celebra-se o dia dos defuntos, de todos os santos, o dia da independência, o dia do trabalhador. 

Em Espanho, celebra-se todos esses dias mais uns quantos e as pontes.

Em Inglaterra, celebra-se o dia em que alguém falhou o plano de incendiar Londres, o dia do Verão, o dia do fim do Verão. 

 

 

E agora digam-me, se celebramos todas estas coisas que não interessam a ninguém com menos valor pessoal, porque não havemos de celebrar o amor, a paixão, o carinho? 

 

 

 

12
Fev18

Sobre eu ser calma e pensar nas coisas.

Andava eu muito contente, achando-me super  tranquila e afinal continuo com o "fogo no rabo" como se diz lá no norte. 

 

Estou há três semanas a planear uma sobremesa linda para o regresso do meu marido. Ele chega amanhã, por isso hoje decidi pôr mãos à obra e preparar tudo. A ideia era preparar os componentes hoje e amanhã montar. 

Correu tudo tão bem que a minha mente brilhante pensou "ah mais vale montares hoje, fica pronto". E assim foi. 

 

Cinco minutos depois de estar tudo pronto, a minha consciência voltou de férias e disse-me:

Oh minha parva, se calhar ao fim de 24h de espera não vai estar assim tão lindo e maravilhoso como era suposto, não achas ?????

Eu respondi com um baixar de cabeça envergonhado e uma vontade enorme de me dar um auto-chapada no focinho. 

 

Rezem para que amanhã à noite os meus mil folhas de framboesa ainda tenham este aspeto:

 

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07
Fev18

A propósito do frio.

Eu: Está tanto frio aqui (Liverpool, quase no Ártico). Nevou todo o dia, nem aguento.

M: Aqui (Portugal) está terrivel . Nem sabes o que é.

Eu: 

M: Ainda hoje falei com uma senhora que morou na Suíça e disse que aqui o frio é pior porque é húmido.

P: Onde ela está também é húmido mas realmente ainda hoje estava fora do escritório a conversar ao sol e fiquei gelado.

Eu: Estavas onde?

P: Ao sol.

Eu: I rest my case .

04
Fev18

Viagens, chavões e o problema datas que não se podem celebrar

Em breve chegam datas importantes que não vou poder celebrar por motivos profissionais. 

Para muitos, isso é um sacrilégio. Aliás, conheço pessoas que dizem que nunca conseguiriam emigrar, ou que emigraram e regressaram rápido, ou viajar muito em trabalho porque "estar presente para a família e os amigos é o mais importante".

 

Blá blá blá. 

 

Já que estamos numa de grandes chavões, então digo também que isso é tudo muito bonito mas "na vida temos que fazer escolhas". Aliás, a meu ver, crescer é isso mesmo, aprender a lidar com o poder de decisão. 

 

Quanto ao sentimento de culpa que às vezes se pode apoderar de nós quando temos de tomar aquelas decisões mais difícieis de "não vou poder estar presente", consolo-me pensando que quando há amor, a data é só um número. 

 

01
Fev18

Férias, férias, já marquei as férias.

Ainda tenho de esperar até à terceira semana de Agosto, mas já marquei as férias de 2018.

A minha vida é uma incógnita depois de Agosto, mas pelo menos uma semana de paz, sossego e muito amor já ninguém me tira. 

 

Querem saber o destino ? 

 

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MONTENEGRO

 

O plano é simples: um vôo rápido e direto, um estúdio para dois, em frente ao mar, longe da cidade. Duas bicicletas, muito sol, muitos banhos de mar e um grande aniversário para celebrar. O que mais se pode pedir?

 

 

 

26
Jan18

Gestão de tempo? Of course.

Durante as últimas duas semanas andei a tratar de coisas menos urgentes no trabalho porque todos os meus assuntos urgentes estavam na mão de terceiros que não tiveram vontade de os acelerar.  

 

Hoje, finalmente, recebi feedback do maior assunto e estarei ocupadíssima nas próximas 3 semanas. 

 

Cheguei a casa à noite e o segundo maior assunto também desbloqueou e com ele veio uma lista de afazeres cruciais para a próxima semana. 

 

Aposto que segunda-feira mais dois ou três assuntos vão chamar por mim aos gritos, cheios de urgência porque as coisas são mesmo assim - ou tudo ou nada.

 

Oh meus anjinhos até posso ser o Deus da gestão de tempo, mas por favor, não há como. Haja paciência !!!! 

22
Jan18

O estranho caso em que me revi num artigo da Visão

Li um artigo da Visão, escrito pela Filipa Araújo, uma das colaboradoras da rubrica "Nós lá fora", que descreve muito bem alguns aspetos desta vida de emigrante. Identifiquei-me muito e digo-vos porquê. 

 

Começa assim: 

 

Os dias (de um emigrante) em Portugal não deviam ser considerados férias. (...)  É que, quem pensa que ir a Portugal é o mesmo que estar na praia a relaxar está, claramente, equivocado.

 

Isto pela simples razão de que tentamos condensar um ano de vida em duas semanas. E todos sabemos que a vida é complicada, tem (muitas) pessoas e atividades e emoções. Tem amigos e família. 

O turbilhão de sentimentos que uma visita a Portugal implica é suficiente para nos deixar exaustos. Exauridos de tantas emoções dentro de nós. 

 

Quando nos mudamos fisicamente para outro país, nós mudamos também. Nós, no nosso interior, na nossa forma de ver a vida. É certo que toda a gente muda, mas os emigrantes mudam mais e mais rápido, pelo menos nos primeiros anos fora. 

 

Como os antigos diziam “órados” da cabeça tal é a dimensão e velocidade das informações, das sensações, dos sabores, do querer-aproveitar-tudo-quanto-possível-porque-já-só-voltamos-para-o-ano-que-vem-mas-não-sabemos-o-que-aproveitar-porque-parece-que-nada-mudou-mas-afinal-talvez-tu-tenhas-mudado-e-já-não-pertences-ali-mas-queres-pertencer-e-no-fim-não-sabes-bem-de-onde-és. Ufa.

 

Outra coisa importante de notar é que o emigrante (correndo o risco hediondo da generalização) tem uma vontade enorme de resolver os problemas da família e amigos que deixou para trás. E eu acho que isso deriva de um (pequeno) sentimento de culpa por tê-los "abandonado" e porque agora consegue avaliar do lado de fora, ganhando um ponto de vista privilegiadíssimo sob os diversos labirintos que são as vidas dos nossos ente-queridos.

 

A exaustão piora quando as coisas não estão bem. Neste mundo real, acontecem coisas más. E nós, queremos ali, em horas, em escassos dias, resolver o que se vem a arrastar há meses. Queremos curar o irmão em sofrimento, decidir pela irmã. Queremos emendar o que está errado, apagar as zangas, alertar a amiga. No fundo, queremos ser heróis. Nunca o seremos. E voltamos assim, quase sem soluções. Portadores de um coração apertado e exausto.

 

Mas, no fundo, acabamos sempre assim... 

 

Exaustos de tão felizes. De tão gratos.

 

 

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