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Eu e a Outra

Coisas maravilhosas, coisas assustadoras, viagens exóticas, dia-a-dia monótono, bichinhos tropicais e muito amor. Ponham-se confortáveis que vamos começar.

Eu e a Outra

Coisas maravilhosas, coisas assustadoras, viagens exóticas, dia-a-dia monótono, bichinhos tropicais e muito amor. Ponham-se confortáveis que vamos começar.

Pânicos do segundo dia

23.06.18, Eu e a Outra

Querem mais um excerto do diário (a primeira parte está aqui) ?

 

A noite foi atribulada. As janelas são abertas e não há ar condicionado. Por isso, a tempestade que fazia lá fora também se fazia cá dentro. Depois também tive que acordar às 00h45 quando o resto do pessoal chegou para lhes abrir a porta e receber as minhas malas. Quando acordei às 6h30 estava com sono, mas nada de grave. Tomei um ben-u-ron que o meu dente anda-se a armar aos cucos e reparei que só tenho mais um comprimido e não trouxe Brufen. Às 7h eu e a Kawira estávamos prontas, mas entre atrasos e conversas e preparações só saímos com os dois empregados às 8h da manhã. Era suposto ser uma viagem rápida de 2h só para irmos recolher as moscas e regressarmos para as dissecações. Chegámos eram 17h30. Como? Pois... fomos ao laboratório em obras buscar redes, depois seguimos para os vários blocos. (Sim, mandaram-nos para cá, mas o laboratório está em obras! Por isso, montamos um laboratório no alpendre de uma das casas onde estamos hospedados.) Descobrimos que eles puseram as redes erradas e que o pessoal que estava a recolher as moscas achou por bem matá-las, esmaga-las, asfixiá-las, e eu sei mais lá o quê. Resultado: não servem de nada. Mudámos de planos: fomos colocar as redes corretas. Era só uma ou duas, mas acabaram por ser catorze. Sem rede, sem casa-de-banho, sem nada. O que me valeu foi a meia Fanta do dia anterior e os snacks que levei na mochila (a experiência de Busia ensinou-me que aqui neste país nunca se sai de casa sem comida). Pelo caminho ofereceram-nos toranjas e compramos bananas. Foi esse o meu lanche/almoço/lanche: uma toranja, uma banana, três bolachas de água e sal e uma barra de cereais. Tenho a cabeça pisada de bater no jipe por causa dos buracos. Quando finalmente chegamos a casa, comi um pão de leite e duas ameixas secas (vindas de Liverpool) e tomei um banho, lavei o cabelo, mudei de roupa. Acabamos por conseguir trazer 14 moscas vivas por isso fizemos a dissecação às 19h, já escuro. Tudo negativo. Mais más notícias é o que preciso. Veio-me o período e nem sequer posso ficar chateada porque era para vir no Domingo e portou-se lindamente a atrasar-se senão o dia de hoje tinha sido ainda pior. No entanto não tenho saco do lixo em lado nenhum. Não sei como me vou arranjar. Estou à espera que o jantar esteja pronto – vou comer esparguete com tomate e cenoura. Perguntaram-me se punha sal ou açúcar no esparguete por isso tem tudo para correr bem. Decidi escrever este diário porque quando estou sozinha só me apetece chorar e acho que escrever me ajuda a deixar de ser parva. Isso e o facto de que assim da próxima vez que tiver a brilhante ideia de aceitar fazer trabalho de campo posso vir ler isto e ganhar juízo.

Amanhã começamos às 10h – supostamente. Vamos ver.

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